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Abolição da escravatura: passados 134 anos, negros ainda lutam por direitos e protagonismo no Brasil

13/05/2022

De acordo com o último censo do IBGE, 54% da população brasileira é composta por negros. Em Brasília, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), realizada pela Companhia de Planejamento (Codeplan), 57,4% pessoas se declaram negras.

"Aqui no DF não tem mais órgão responsável pela política de igualdade racial e nenhum investimento nesse tipo de política. A pauta deixou de ter relevância", diz Marivaldo Pereira.

No entanto, segundo o líder do Movimento Negro no DF, Marivaldo Pereira, faltam programas e políticas públicas que atendam as necessidades dos mais pobres.

O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão, e o negro liberto não recebeu nenhum tipo de auxílio do governo para que pudesse sobreviver . Pesquisadores afirmam que, com a falta de oportunidades e o racismo, o quadro de desigualdade perpetuou-se no país e tem reflexos até os dias atuais.

Com a criação do Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, a data da abolição acabou ofuscada, uma vez que ela não traduz, segundo os movimentos sociais, o real contexto da história.

Mas, de acordo com a professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), Ana Flávia Magalhães Pinto, "o 13 de maio também foi um dia de gente negra, embora os encaminhamentos dados pelas elites ao fim da escravidão não tenham sido pautados pelo respeito à cidadania negra."

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, entre a população carcerária, os negros somam 66,7% dos presos no país. Para a pesquisadora Amanda Pimentel, existem condições que levam os negros a serem mais presos do que os não negros.Mas não é só isso. Conforme a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, há também um tratamento desigual dentro do sistema judiciário. "Réus negros sempre dependem mais de órgãos como a Defensoria Pública, sempre têm números muito menores de testemunhas. Já os brancos não dependem tanto da Defensoria, conseguem apresentar mais advogados, têm mais testemunhas", diz ela.

Ana Flávia diz que isso explica até mesmo porque pouco se fala que, desde o início do século 19, o Brasil já tinha a maior população de indivíduos negros libertos e livres das Américas. "Pensamos que todo mundo chegou como escravo ao 13 de maio porque temos profunda dificuldade em reconhecer homens e mulheres negras como sujeitos de direitos e cidadania".

De acordo com a professora da UnB, a promessa da liberdade, da igualdade e da cidadania formal foi afirmada e reafirmada em todas as Constituições Brasileiras, desde a abolição da escravatura. "Porém, o cumprimento de tudo isso está longe de ser algo palpável na realidade cotidiana", diz Ana Flávia.

Para Marivaldo Pereira, o cenário de diferenças sociais entre negros e brancos pode ser transformado com uma maior participação negra na política. "Estamos nos preparando para influenciar no pleito eleitoral. Porque a gente sabe que, se não fizermos a disputa de poder, se nós não ocuparmos os espaços de tomada de decisão na sociedade, nós não vamos mudar esse cenário", afirma.

Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2022/05/13/abolicao-da-escravatura-passados-134-anos-negros-ainda-lutam-por-direitos-e-protagonismo-no-brasil.ghtml